domingo, 2 de maio de 2010

Malmequer


taniareis

A criança do sorriso de 5 anos gostava muito de explorar lugares novos e de descobrir aquilo que lhe despertava interesse. Naqueles dias, ela podia andar no terreno de terra batida, sem ninguém que mandasse nela, nem que fosse apenas por meia hora, ela era dona do seu destino, mesmo que fosse aquele espaço confuso de desarmonia e natureza. Ela gostava de caminhar nessa estrada e imaginar, nos seus mundos de fantasia, que era uma guerreira e que aquela era a estrada da sua vida, recheada de desafios e animais ferozes que ela conseguia sempre vencer. Imaginava campos verdes de sonho e ela, uma princesa, caminhava sobre eles, admirando o ambiente na sua forma mais pura. Porém, tais pensamentos eram frequentemente perturbados pela pequena e singela natureza que a rodeava. Aquela criança tinha um fascínio peculiar por flores, adorava apanha-las , embora soubesse que elas iam morrer porque não estavam no seu habitat. Sentia-se triste por saber que elas não iriam sobreviver mas mesmo assim continuava a apanha-las, a senti-las na sua mão, a sentir a sua beleza e o seu perfume. Sempre que apanhava aquelas flores em especial, e começava a tirar as pétalas uma a uma para saber se seria amada ou não por alguém, pensava nela. Era quase imediato, via as flores e pensava em fazer-lhe um ramo gigante com aquelas pétalas tão pequeninas e oferecer-lhas juntamente com o seu coração inocente e seu sorriso de criança pequena e ingénua, pura.

Eu gosto mesmo é daquelas florzinhas pequeninas que tu apanhavas no caminho da escola e me oferecias toda contente, lembras-te?

[ Lembro mãe, por isso faço questão de te oferecer sempre flores, para que te iluminem o espaço e o coração, tal como os malmequeres me lembravam de ti nos tempos de criança...]

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