terça-feira, 1 de junho de 2010

É uma pêra em forma de círculo, obesa e sensual

lexandra

Conseguir a imperfeição. O ser humano ternamente feito dos seus podres.
Eu não tenho lábios senão pelo direito ao erro.

Acusado por tudo, não ser mais que um pequenino nada. Ou quase nada, que se acaricia na mão esquerda, se põe no bolso e se esquece, antes de adormecer.

Quando o dia nasce, mesmo tosco, atinjo o amor. São segundos, que em tempos o amor
durava séculos. Tudo se condensou: uma gota agradeço ao Universo.

Vidro. Estarei transparente?
Tudo se diferencia a partir da fileira, que não desemboca em caminho nem vai dar à estrada. A estrada é o contrário da lucidez. Eu respiro, tu expiras, eu renasço.
Não há círculo que valha: só o desejo de os quebrar. Chegar ao ponto-polígono, conquistar arestas, aprender as graduações da penumbra e o poder vulnerável da luz.

Hoje é o dia em que amanhã se voa. O chão oscila, onda ritmada de uma cascata de silêncios.

...

Por fim consigo detectar o começo. É uma pêra em forma de círculo, obesa e sensual.



Manuel Cintra

3 comentários:

Unknown disse...

Acho que sou uma pêra :D

Sophia disse...

Acho que muitas vezes vivo pata ouvir palavras como as tuas. Quando escrevo é para me sentir mais livre, mais solta, porque as palavras eu não as consigo guardar apenas para mim. Então escrevo e fico na esperança de que as minhas palavras voem e não sejam só minhas, que alguém chegue e as agarre também para si. Porque aqui, somos todos uma família.

Obrigada, do fundo do coração :)
Tenho tanto, tanto medo de decidir de forma errada, de fazer um gesto errado :x

Marie Roget disse...

O tempo consome-nos de tal forma que chegamo-nos a perder dentro dele.
Este texto estava "no ponto"!

Beijinho, diamante*