terça-feira, 21 de setembro de 2010

O sonho adormecido da avezinha


"Say I'M BIRD!"

Um dia, ela teve um sonho. Aquela avezinha, deitada ao mundo das aves de rapina com apenas 18 primaveras, sonhou chegar ao topo da montanha. Desejava, um dia, poder abrir as suas asas e voar bem alto, a alta velocidade, saboreando o mundo com o seu sucesso e orgulho. Começou por aprender as primeiras lições: como abrir as asas pela primeira vez, a dar pequenos saltinhos como se fosse voar, desafiar os seus medos e limites, e por fim, tentar passar a prova final. As aves de rapina não lhe facilitaram a vida. Passou por muitos desafios durante a sua estadia. Mal sabia que o seu destino já estava traçado e ela nem sequer desconfiava de nada. Inocente e ingénua, treinou incessantemente, dias e dias a fio, imaginando-se a voar pelo mundo fora e conquistar o seu lugar na montanha mais alta que conseguisse alcançar. A prova final estava cada vez mais próxima e a avezinha começou a ficar cada vez mais nervosa. Nunca desistiu de uma prova, levou sempre os seus objectivos até ao fim, desafiando todos os seus limites e superando os seus medos. A prova final chegou e a pobre ave viu todas as outras aves voarem em direcção a montanha enquanto ela, com as asas partidas, caiu num abismo. Esse abismo demorou muito tempo a escalar até voltar a conseguir chegar a terra novamente. Quatro anos passaram e a avezinha cresceu, com as suas asas partidas e especializou-se em viver a sua vida, de pés bem assentes no chão, esquecendo-se do que um dia sonhara voar.

Mas os sonhos não se esquecem, adormecem dentro de nós, ficam à espera que alguém os acorde para nos lembrar que ainda lá estão, para nos provar que, afinal, sobreviveram a tudo. Os sonhos conseguem sobreviver durante muitos anos, e quando alguma memória semelhante se aproxima, as emoções desencadeiam um processo complexo de reminiscência. Quando todos os passos dados apontam no sentido de sonho adormecido, o que pensar? Que nem tudo está perdido e que ainda há uma oportunidade ou que, talvez, tudo aquilo seja apenas para mostrar que o sonho tem que ser enterrado de uma vez por todas? Nesse momento, a emoções e as memórias tomam conta de tudo. As lágrimas, o rubor e um tremer de essência invadem todas as memórias, sem filtrar aquilo que pode prejudicar ou não o seu exercício de vida. Talvez os sonhos adormecidos sirvam para nos acordar, para nos lembrar qual o caminho, qual a próxima missão ou a lição que devemos aprender. Só o dia de amanha ditará o final desta história que, aparentemente, renasceu das cinzas. Talvez, a avezinha, agora adulta e com as asas curadas esteja, finalmente, pronta para voar até à sua própria montanha.

2 comentários:

flowerpower disse...

É curiosamente curioso o facto de eu não conseguir encontrar palavras maravilhosamente maravilhosas que te possam descrever... Linda... será pouco certamente, pois tu brilhas mais que o sol!!! As tuas palavras são arte do coração, e é também e principalmente por isso que te ADORO cada dia mais... obrigada pela tua maravilhosa existência...

Marco Abílio disse...

Amei o texto! Continua assim, Niz de bem querer e serás certamente tudo aquilo que pretendes ser. Os sonhos prevalecerão sempre e não mais és uma avezinha. Tenho um orgulho enorme em ti!