
Um dia, sinto que o coração me salta do peito de tanta Felicidade…
Sinto-o a bater do lado esquerdo do peito. Ele, o centro metafórico de todas as emoções. O coração, aquele pequeno músculo que bombeia sangue para todo o nosso corpo e também as emoções para a nossa alma. Hoje sinto que o mundo é grande demais e que os meus braços vão crescendo, elásticamente, para o agarrar. Hoje sinto-me dona e conquistadora de uma interminável felicidade momentânea. O meu cérebro, o centro do corpo, foi invadido por centenas de objectivos, ideias, projectos intermináveis. Sinto-os a vaguear dentro do meu corpo, das minhas vértebras, dos meus músculos, do meu sangue. Esse, o senhor de todos os reinos corporais, parece fervilhar de tanta excitação, corre à velocidade da luz nas minhas veias, frenético, imparável, parecendo nunca mais chegar ao destino e mantendo-me neste estado alucinatóriamente doce. Há muito tempo que o meu espírito não reconhecia tais vivências, há muito tempo que o coração não batia descompensamente. Tudo o que sei é que este meu muscúlozinho alojado do lado esquerdo do peito me dá uma tranquilidade e uma paz de espírito electricamente saudável. Tudo o que desejo é que este estado breve, intenso e condensado, se prolongue durante todo o tempo que for necessário para manter esta satisfação e amor pela vida, que há tanto tempo não sentia, de forma tão marcada. Hoje foi e é o dia em que sinto que a vida me está a dar tudo aquilo que eu pedi, como que uma recompensa por ter cumprido a missão mais recente para qual fui escolhida. Missão cumprida, recompensa merecida.
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