
Quando li esta frase pela primeira vez, achei que se aplicava na perfeição. Embora saiba que não é 100% verdade, traduz muito bem aquilo que me tem habitados nos últimos dias. Nunca fui muito boa em despedidas, basicamente, tenho dificuldade em aceitar que as pessoas saiam da minha vida, mesmo sabendo que a vida é recheada de partidas e chegadas. Contudo, contigo é diferente. Aliás, sempre foi. Se assim não fosse não haveria uma explicação para tudo o que vivemos, para tudo o que partilhámos e para tudo o que conseguimos construir juntas. Escrevemos, ao longo de quatro anos, a nossa história, nem sempre fácil, nem sempre doce, nem sempre agradável. Não desistíamos, continuávamos a tentar que encaixasse, que fizesse um bocadinho mais de sentido. E fez, num breve e curto espaço de tempo. Sempre foi assim minha querida, esta é a verdade. Todo o grande investimento que fazíamos era sempre sol de pouca dura. E a vontade de escrever começava a ser cada vez menos tal como a vontade de investir numa amizade que mais nos fazia mal do que bem. O afastamento era inevitável. Mudar de estrada, de paragens, de aeroportos. Fazer as escolhas da nossa vida. Guardar tudo aquilo que deve ser guardado na bagagem e seguir viagem. É uma escolha, algo que a vida se encarregou de mostrar, diariamente, que não funcionava mais.
Na minha bagagem levo as primeiras conversas, as discussões, as lágrimas e os abraços arrancados em momentos de tristeza. Levo também as saídas, as noitadas de jantares e guitarradas, a maquilhagem, as sessões fotográficas, a escolha da roupa e de uma identidade, ainda por desvendar. Não me poderia esquecer de todos os sorrisos, olhares de cumplicidade e de força e de todas as vezes que fomos verdadeiras uma com a outra, sem papas na língua. A maioria da minha vida académica foi passada do teu lado: as praxes, as vendas das senhas na porta dos bares,a bicheza, as matrículas do 3º ano, as Tunas, as manifestações, as lutas pela tradição do coração. Momentos recheados de emoções e calor.
Obrigada por todas as aprendizagens. Obrigada por me mostrares quem és verdadeiramente. Obrigada por me mostrares que um "Até já" também pode ser levemente doce, com um sabor a amargura necessária pelo meio. Gosto de ti e sempre gostarei, por aquilo que apenas guardo no coração e não em palavras.
Um beijo na alma.
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