quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sonhando com o despertador Nº13

weheartit

O silêncio engole-me. Trago em mim toda uma vida de histórias para contar. Histórias que não são minhas mas das quais sempre fizeram questão que fizesse parte. Histórias de muita dor e traumas associados. Cresci no meio delas, do mundo de ruínas com uma fachada de amor e fantasia. Os meus olhos não estavam suficientemente abertos para conseguir ver o caos que existia por detrás da família perfeita. À medida que os olhos se foram abrindo e o coração enchendo de vida, as ruínas começaram a mostrar os seus começos. Todos os momentos que não vivi mas que fazem parte de mim, enchem cada célula do meu corpo, cada pensamento da minha cabeça, cada emoção do meu coração, cada aprendizagem da minha alma. Hoje, mais do que nunca, o silêncio de não poder falar engole-me a alma, escava pelas minhas entranhas e arranca lágrimas jorrantes dos meus olhos. Carrego dores que não são minhas, dores impostas pelo amor, um amor que nunca vou conseguir compreender. Tenho os olhos selados, fechados e barrados por toda a dor que em mim carrego há demasiado tempo. Nem sei muito bem já qual o motivo da minha existência. Não acredito no acaso, tudo tem um propósito, mais cedo ou mais tarde descobrimos qual é. Mas o fardo que hoje carrego reveste-se de uma culpa criminosa e inocente que me prende há sete anos, que oiço todos os dias, arrastada pelas correntes que me prendem a um passado que não é meu. A neutralidade que sempre tentei assumir fez de mim uma cúmplice, uma culpada pelos meus erros inocentes e sonhadores. Dói-me a alma de sentir este silêncio. Um silêncio tão cheio de palavras, de momentos e dores, que nunca foram as minhas, que eu nunca senti mas dais fui forçada a fazer parte. E é esta culpa que me fazem carregar agora, é este peso que a vida me obriga a suportar, um fardo demasiado pesado para a minha alma. Continuo presa ao silêncio. Hoje mais do que nunca, o silêncio mata-me o corpo, a alma, o coração. Hoje mais do que nunca, o silêncio engole-me a vida, sedento de vingança ousada, de um egoísmo vital que me prende à inocência e a uma morte mental precoce. Queria conseguir e poder respirar, todo o ar que emana da vida, toda a beleza que reside na pureza de uma coração. Queria conseguir sentir que tudo isto vai valer a pena, quando sinto que o caos que agora é retardado, mais tarde ou mais cedo, vai explodir. A bomba atómica da minha vida vai rebentar, mais cedo ou mais tarde, e posso ser eu a culpada da sua explosão e da minha libertação. A eterna condenação precoce, a eterna escolha, a morte de uma família ou a vida de um ser sem alma. Tenho um universo nas minhas mãos e não quero este poder. Tenho um universo de silêncios e mentiras nas minhas costas e a obesidade mental já não me deixa respirar. Quero respirar novamente, quero libertar-me desta culpa que reveste tudo aquilo que sou. Hoje, estou de luto de mim própria…

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