quinta-feira, 25 de março de 2010

D

Hoje, pela primeira vez depois de terminarmos, senti saudades tuas. Senti saudades da tua presença. Não estás mais naquele sítio que era só das nossas memórias para veres as apresentações de livros comigo (como fizemos na primeira vez que estivemos juntos), para devorares os livros de ilustrações e fazeres os teus comentários tão típicos ou até para me dares a mão enquanto as horas passavam e nem dávamos conta. Hoje, pela primeira vez depois de tudo, senti vontade de ter ver. A verdade é que encaixavas como mais ninguém tinha encaixado hoje, é certo que existiam nuances negativas muito fortes, mas tínhamos uma amizade que valia por tudo o que era mau. E até isso perdi. Sinto-me sozinha sabes, não tenho mais o meu companheiro do Intensidez, não tenho mais o melhor amigo com quem partilhava a minha vida diária, não tenho mais o namorado com quem ia jantar fora e se deliciava com os bolinhos do Japonês. A verdade é que a palavra “partilha” só fazia sentido ao teu lado. A verdade é que embora já tenham passado alguns messes, sem eu dar conta, hoje, regressaste das minhas memórias. Hoje, não tenho mais ninguém a quem ligar quando terminam as aulas a contar as novidades e as piadas do dia. Hoje, não tenho mais aquela pessoa que via filmes agarrada a mim e me mimava enquanto devorávamos os filmes durante horas. Hoje, não tenho mais aquela pessoa que ia comigo ao teatro, ver as exposições e tinha sempre uma opinião da área para dar ou ate para discutir. Hoje, não tenho mais aquela pessoa que só o olhar me confortava, que as suas mãos acalmavam o meu espírito e a vida era mais tranquila. Acho que me estou a esquecer de tudo o resto, eu sei. Esta noite fizeste-me chorar de saudades e eu não admito que nenhum homem me faça chorar. Passei de um estado de dor e mágoa para um estado de irritação total. Pensava que já estavas arrumado na gaveta das memórias e das aprendizagens. Afinal não, andavas só escondido entre os cantinhos da minha mente. Sei que tenho os meus amigos e que eles me apoiam em tudo e substituem a dor por momentos de alegria e de sorrisos, mas sinto-me sozinha, sozinha sem ti, sozinha sem quem eu já fui, sozinha sem o meu companheiro da partilha diária…Provavelmente, amanha nenhuma linha deste texto terá sentido para mim, no entanto, sinto que tenho que escrever sobre isto hoje, porque esta uma grande carga emocional em mim e tenho que me exprimir senão cometo a loucura de cair no meu abismo interno novamente…

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