E a cobra enrolou-se nele, primeiro no pescoço, depois à volta do corpo, abraçou-o com força, um abraço de saudade profunda. Um abraço de criança, como se toda a força do mundo estivesse nos seus braços e ela tivesse de apertar tudo naquele momento, porque o amanha já não iria existir. Um abraço de mulher, cheio de ternura, de corpo, de coração, de emoção, de sentimento, de amor profundo e terno, de paixão de ontem, de hoje e de amanha. Um abraço de mãe, aconchegante, carinhoso, responsável, doce, um abraço de eterno amor incondicional. Um abraço forte, determinado, impulsivo, sonhador, onde todos os ossos e todos os músculos e todos os membros ficam aprisionados num espaço de amor. Um abraço do tamanho do coração, do tamanho de um sorriso, do tamanho do brilho de um olhar. Um abraço que diz tudo num só gesto, que não diz nada, que não é nada e que é tudo, no mesmo instante. Um abraço de natureza, um abraço de viajante, um abraço sábio, um abraço experiente. Um abraço de criança, um abraço de mulher, um abraço de mãe, um abraço de cobra…
[Numa noite de lua cheia, ao sabor de um chá de boa disposição, de risos e de companhia agradável, o meu mundo encheu-se de histórias de antigamente, de contos de lua cheia, de contos que enchem uma lua e me encheram a mim de inspiração...]
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