quinta-feira, 1 de abril de 2010

(Des) Inspiração

Sento-me em frente ao monitor, os dedos ansiosos por escreverem tudo o que habita na minha alma, o cérebro ansioso por processar de forma metafórica todos os ensinamentos mais recentes e que precisam ser escritos e integrados mas, sem qualquer explicação, não há qualquer articulação de palavras. Tenho muito para escrever, muitas histórias para contar, à minha maneira, tenho muita raiva, muita revolta, muito desgosto mas também muita garra de viver. Inesperadamente, nem consigo escrever sobre as coisas boas e muito menos sobre as coisas más. Sei que tenho que escrever, a minha mente tem que ser esvaziada dos acontecimentos mais recentes, tenho que engavetar aquilo que já não importa mas que foi decisivo para compreender uma série de acontecimentos. O que habita neste momento em mim é um vazio de inspiração, é como se existisse um buraco no meu peito e sempre que tento escrever e traduzir a minha intensidade nas palavras, simplesmente esse buraco suga todas as minhas ideias e pensamentos. A minha cabeça está a fervilhar de cansaço de ideias e de palavras entrelaçadas que vagueiam na minha mente, sei que preciso de escrever, sei que preciso de “desabafar” tudo isto mas não consigo. A minha mente não me deixa processar mais informação hoje, acho que está cansada de todas as peripécias deste dia. Acho que hoje tirou o dia de folga de mim e recusa-se a processar qualquer tipo de informação...

2 comentários:

Sara Cristina Figueiredo disse...

Muitas vezes é assim.
Sentimos uma necessidade enorme de passar para o papel todo o turbilhão que sentimos e simplesmente não dá.
Não encontramos as palavras certas, os termos apropriados, porque por mais forte que a palavra seja nunca é suficientemente forte para descrever aquilo que sentimos.
Nunca é a palavra certa, nunca aquela que queríamos que fosse.
Mas mesmo na nossa (des) inspiração conseguimos fazer textos intensos.

Quando não conseguires achar as palavras necessárias, chama-me e vamos as duas à procura delas entre chazinhos e conversas boas :D

Joana Martins disse...

nesses teus momentos do texto, onde a inspiração já não dá sinais de vida, deita-te na cama e esquece o mundo, ouve música ou algo do género, deixa-te embalar. o peso de que falo tem de desaparecer, e tal como no meu texto, só depende de nós deixá-lo partir ou não. beijo ;)