

Finalmente tive coragem. Consegui, por fim, eliminar tudo o que te dizia respeito na minha vida. As memórias estão conservadas nas imagens, nas melodias, nas palavras que voaram com o vento. Os sentimentos que elas contêm serão para sempre eternos, porque nesse instante, a perfeição existia. No tempo em que essas memórias estavam vivas, o amor existia, o carinho existia, a ternura existia, a compreensão existia, a conexão existia, a felicidade existia. No tempo em que ecoavam em nós melodias de amor, elas existiam de verdade. No tempo em que tudo fazia sentido, nunca foi uma ilusão. No tempo em que as palavras eram ditas com emoção, no calor de uma lágrima que escorria pela face de felicidade, não foi fantasia. Foi real, tudo foi verdadeiro, tudo foi eterno, enquanto durou.
Decidi esquecer-te porque fazes parte do passado e eu quero viver o presente. Decidi esquecer-te porque tenho que virar a página e ser feliz. Decidi esquecer-te porque as recordações que tenho, as memórias que me habitam são muito doces, muito saborosas mas também muito amargas, muito injustas, muito cruéis e eu não quero recordar-te dessa forma. Não quero odiar-te, não faz sentido. Não quero culpar-te de tudo, porque ambos tivemos culpa. Não quero acusar-te de nada nem atirar-te “a primeira pedra”. Prefiro ver-te como alguém que mudou a minha vida, que me fez acreditar que é possível amar alguém o resto da vida, que me fez acreditar na magia de sonhar, de fantasiar. Prefiro ver-te como uma alma pura e doce, que acredita no amor incondicional e o procura incessantemente. Prefiro ver-te como o único que encaixou, de forma genuína. O resto, guardo-o dentro do baú das memórias cuja chave enterrei no meio da floresta do passado.
Sempre te disse que acredito que as pessoas se aproximam para ensinar algo às outras, que estabelecem relações mais ou menos íntimas porque é a única forma de haver confiança e através delas, uma aprendizagem. Quando essas lições são aprendidas ou quando insistimos em não as ver, a tempestade surge, os ventos ficam furiosos e a rota transforma-se. Foi isto que aconteceu entre nós. Obrigado por tudo o que me ensinaste. Por todas as lições que nunca tiveste noção que eu aprendi contigo. Obrigada por me fazeres olhar para dentro de mim e encontrar-me.
Hoje, mudei a minha vida. Se é fácil? Não, de todo. Embora seja muito fácil premir um botão que diz “delete”, esse “delete” apenas acontece no computador ou no telemóvel, não no coração. Somos pessoas não somos máquinas, ninguém apaga uma parte do seu passado por premir um botão, se os sentimentos fossem tão fáceis de apagar, não saberíamos dar valor às verdadeiras lições porque apenas carregávamos no “delete life”. Eu não fujo da minha vida, aprendi a enfrenta-la e a arriscar, se for preciso. Aprendi a sair do túnel escuro e correr em direcção à luz, mesmo quando o coração parece que me vai sair pela boca de tanta insegurança e nervosismo. Aprendi a não ficar na “zona de conforto” e a lutar por atingir a minha luz, a minha felicidade.Premir o botão não te apaga de mim, mas ajuda a transformar-te em outra coisa. Ajuda a transformar tudo o que és hoje em algo doce, leve, como uma brisa de verão à beira-mar. O tempo vai ajudar-me a transformar-te nessa brisa e, um dia, quando estiver à beira-mar e “te” sentir acariciar-me o cabelo, vou sorrir porque um dia exististe na minha vida e fomos eternos, enquanto durámos.
É este o meu desejo para ti:
“Ao espelho, onde vês o reflexo entre o homem que és e aquele que gostarias de ser, respiras fundo e desejas que essa mulher chegue um dia, não demasiado cedo para te assustar nem demasiado tarde, porque, entretanto, pode aparecer outra e tu vais deixar-te ir, convencido de que é essa, e não eu, a mulher da tua vida.Por isso respiro fundo do outro lado da tua imagem e espero - sentada no baloiço, lá mesmo em cima, para que não me vejas - que um dia dês o salto para o outro lado da tua vida. E sejas quem sempre sonhaste, para que te vejas ao espelho como eu já te vejo. Como és."
7 comentários:
aww obrigado... os meus amigos costumam dizer que eu sou uma biblioteca musical xD
romance??? já soube o que era isso
pois, mas essa biblioteca está na minha cabeça.
hihi basta ouvir um pouco e digo logo de quem é. os meus colegas perguntam sempre, e eu geralmente sei. digo geralmente porque a minha biblioteca às vezes tem falhas xD
beijinhos
estás a vontade para ouvir ;)
beijinhos
li esse livro há relativamente pouco tempo, é lindo, e como sempre, margarida rebelo pinto maravilha qualquer um quando nos envolve nos seus romances puritanos mas sempre ilusórios, que toda a gente sonha um dia ter.
adorei o blog e, obrigada eu :p
beijo*
é verdade, quem está em baixo e precisar de se animar vai encontrar nos livros dela uma bola de esperança enorme, porque apesar de existirem aqueles desgostos habituais ela consegue sempre mostrar o lado bom deles, acho fantástico, é sem dúvida das minhas escritoras favoritas, apesar de algumas pessoas a acharem demasiado sonharora e irrealista.
sim, manda-me quando puderes. eu tambem tinha outro blog, mas apaguei tudo o que lá tinha e agora já nem sequer me lembrava da passe dele, mas até foi bom, foi tipo "o iniciar de um novo ciclo" :p
nessas histórias sou sempre muito radical, não sou muito de recordar, prefiro apagar tudo e é como se estivesse a deixar sair de mim os pesos à parte que me atormentam tanto, e ultimamente a minha necessidade de fazer isso tem vindo a aumentar consideravelmente. odeio lembrar-me do que fui e do que sofri, porque facilmente volto a sofrer com o passado.
mas lá está, ler, não só margarida rebelo pinto, como outros autores, são ajudas enormes nessas metamorfoses. tiram o sufoco da garganta, fazem-nos pensar "podia ter sido pior".
e eu adoro testamentos, não tem mal nenhum, beijinho :)
sim, eu reparei nisso, e pode doer um pouco ao princípio, mas depois ficas com aquele sentimento de liberdade fantástico, porque por vezes sabe mesmo bem pensares só em ti e esqueceres tudo o resto, por muito que magoe. beijinho*
Enviar um comentário