sexta-feira, 9 de abril de 2010

É possivel Renascer...





“Olhei para os braços e vi que não os tinha do cotovelo para baixo, estavam abertos, como asas petrificadas. Não tinha mãos. Fiquei cidrada. Mas pensei «bom, não tenho braços, nem mãos mas tenho pernas e pés, estou a senti-los, agora é que vou estrear aqueles sapatos novos que comprei. Eu gosto muito de sapatos. Tentei inclinar a cabeça na almofada para os ver. Lá do alto os meus olhos só vislumbravam vergaduras «também não tenho pernas», constatou. Do joelho para baixo, não existia nada, nada.

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Há coisas porém que não nos destroem, pelo contrário, dão-nos ânimo. O meu poder psicológico foi muito importante, até consegui iludir os próprios psicólogos que lidaram comigo no dia-a-dia.

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Querer, por vezes é poder. E mais vale quem quer do que quem pode. É sempre possível. Nós próprios temos que acreditar que conseguimos. Se eu hoje não conseguir levantar este copo, eu eide arranjar um copo mais leve para pegar nele. Mas não deixarei de beber água no copo. Um dia de cada vez e a superar etapas. Todos os dias há uma etapa superada.

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Não me importa aquilo que os outros pensam. Se eu me apetecer sair de alças, eu saiu, não me importa aquilo que os outros vejam. Se eu quiser sair sem as pernas, eu saiu. Não me importa que os outros vejam que eu não tenho pernas. Eu sou assim. Eu não escolhi ficar assim, eu tive que mudar. Podia acontecer a outra pessoa qualquer, aconteceu-me a mim. Se calhar ainda foi “bom” que tenha sido a mim, se calhar havia pessoas que não conseguiam superá-lo. Não é que eu esteja, de forma alguma, contente com esta situação. Só acontecem grandes privações a quem os pode superar. Não importam os outros, se eu quero, eu vou fazer. “

Irene Sabino

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