Desprender-me das amarras que me prendem à realidade lógica e racional e deixar-me levar apenas pela intuição, perder-me nas linhas do pensamento e rasgar as folhas do auto-controlo. Aprender a ser uma louca normal, que volta sempre ao seu local de origem apenas para tomar a medicação que não lhe faz falta e que apenas a mantém, eternamente, doente. Voar nas asas da imaginação, esquecer os limites do coração e transpor todos os obstáculos com a juventude da qual sou um exemplo. Sonhar todos os dias mais um pouco, envolver-me nas ideias e motivações e começar a construir o meu próprio futuro, com as minhas mãos, a minha terra, a minha língua, as minhas palavras e a minha cabeça. Sair de casa pela janela, trocar os horários e render-me à anarquia que vive dentro de mim. Pensar com a minha cabeça, ouvir com os meus ouvidos e falar apenas pela minha boca. Ser incoerente e incongruente nos meus pensamentos e sentimentos para mais tarde lhes encontrar um objectivo. Ser médica das minhas próprias emoções e cuidar do meu coração quando ele sofrer avc’s emocionais. Ser a professora da criança que vive em mim e ensina-la que já é crescidinha e que tem que ir para a escola dos grandes e que não pode continuar a viver no infantário porque não tem mais 5 anos. Tornar-me na heroína de mim mesma, errando todos os dias mais um bocadinho, sorrindo todos os dias com as minhas distracções e escrevendo todos os dias textos sem nexo. Ouvir a minha canção antes de dormir e chorar porque o coração está deprimido e sem companhia. Fazer uma sessão de cinema para mim própria e comer as minhas pipocas acompanhada com as minhas lágrimas, os meus sorrisos e as minhas inspirações. Desligar o botão do auto-controlo, insegurança e instabilidade e construir o da confiança, amabilidade e orgulho. Amar sem saber porque, nem como nem quando. Fazer as amizades que nunca tive coragem de conhecer. Enrolar as letras de uma forma estranha, sem pontuações, ou melodias, ou letras e assinar por baixo com o meu nome, sem qualquer arrependimento. Viver a vida um dia de cada vez, sem pensar no porquê do amanha ir nascer de novo. Falar com a paixão com que canto e cantar para o público. Aceitar que os dias são negros mas eu os posso transformar e pintar com as minhas cores, se desejar muito isso. Gritar com todo o meu corpo que quero ser feliz, mesmo que ninguém me oiça. Desejar apenas possuir o suficiente para permanecer viva mais um dia…
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