domingo, 21 de março de 2010

O fim do tabu: Sexo na Deficiência




O que se pensa em geral, quando se fala de sexualidade na deficiência?
Se alguém está paralisado da cintura para baixo, não tem sexualidade – é isto que se pensa. Porque se acredita que a sexualidade existe no nosso corpo apenas da cintura para baixo [risos]! Crê-se, erradamente, que os lesionados medulares não pensam nisso, não têm desejo.

O que é para si a saúde sexual?
Muitas vezes julga-se que ter sexo quatro vezes por semana (com orgasmo) é sinónimo de saúde sexual. Não concordo. Para mim, saúde sexual é liberdade de pensamento, obviamente dentro dos limites do respeito pelo outro. Não obriga necessariamente à existência de parceiro(a), sendo tanto melhor quanto se possa projectar em alguém ou com alguém.

O que cabe dentro desse carácter ilimitado da sexualidade?
Olhar, cheirar, ouvir, tocar. Dar importância a coisas a que não se dava antes. A cabeça viaja tremendamente. Passa-se a ter o pénis e a vagina dentro do cérebro. O preliminar começa de manhã quando se acorda e acaba quando a pessoa se deita. Quando não se tem função sexual, os preliminares são a vida, o quotidiano.


É possível ter prazer sexual quando o corpo perde sensibilidade do peito ou da cintura para baixo? É possível ter uma vida sexual satisfatória sem erecção? Sem ejaculação? Sem orgasmo? Sim. «Passa-se a ter o pénis ou a vagina dentro do cérebro», defende Ana Garrett, investigadora da sexualidade em doentes tetra e paraplégicos.


Testemunho:

o prazer sexual é agora psicológico. Está principalmente na cabeça. «Tenho-o, como antigamente, mas não se vê. Posições, toques, gestos, carinhos, é a isso que me dedico ao máximo. Na verdade, sinto que refinei a minha sexualidade», reconhece.

Relativamente ao orgasmo, a especialista esclarece: «Trata-se essencialmente de um fenómeno córtico-cerebral. Ou seja, para ser percebido é necessária a integridade das vias nervosas sensoriais. Caso contrário, a informação de prazer não consegue chegar ao cérebro.» Como na lesão medular a comunicação é interrompida, desaparece a percepção do orgasmo, apesar de os doentes descreverem a persistência de uma sensação agradável, de alívio de tensão sexual. «Como transformar esta sensação num orgasmo (pseudo-orgasmo ou para-orgasmo)? É importante recorrer a fantasias e a algum imaginário erótico, para que esses graus satisfatórios de prazer possam ser ampliados», argumenta a fisiatra.

Fonte: NS'

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